cavalo atrás da carruagem

Atualmente, não é surpresa nenhuma encontrar o motor na posição central num esportivo, mas até 1966, quando alguns engenheiros enquanto não tinham mais nada para fazer tiveram a ideia de colocar um motor V12 a alguns centímetros da coluna vertebral do motorista num carro de rua, as coisas eram um pouco diferentes.

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Na década de 60, Ferrari, Maserati e Alfa Romeo dominavam a Itália; já do lado dos que venceram a guerra, o Jaguar E-Type se tornava uma referência de design e os Aston Martin ganhavam fama com suas aparições na série James Bond, enquanto o Cobra 427 e o Corvette Sting Ray defendiam a bandeira americana. O que todos eles tinham em comum é que seguiam a filosofia de motor na parte da frente e tração na parte de trás, seguindo o que parecia ser mais lógico – cavalo na frente da carruagem, diferente dos esportivos atuais, que em sua maioria usam motor central-traseiro. Quem ditou essa tendência foi o Lamborghini Miura. Motivos para isso não faltam, sendo o principal deles o fato de todo o conjunto mecânico poder ser colocado num só lugar, o que proporciona uma melhor distribuição do peso.

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Feito mais como um exercício de engenharia do que um projeto sério, é exatamente esse elemento de loucura que definiu a importância do Miura. Por qual motivo? Simplesmente porque era possível ser feito. Ele não foi o primeiro modelo de rua a ter motor central, mas talvez tenha sido o primeiro a fazer isso sem colocar a beleza de lado. Foi a partir disso que foram feitos vários dos principais esportivos da década de 70, como o próprio sucessor do Miura, o Countach; Lancia Stratos, DeTomaso Pantera, Ferrari 512 BB, etc.

Apesar de muitos conhecerem apenas essa parte da história, isso é só metade dela. Assim como diversas outras inovações, o conceito primeiro nasceu nas pistas e só depois se tornou civilizado. Apesar dos créditos terem no final ficado com os italianos, isso não teria acontecido se não fosse pelos britânicos, alguns anos antes, com o Cooper T51.

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Assim como o Lamborghini Miura, ele também não foi o primeiro a tentar, mas foi o primeiro a mostrar para todos que deu certo. Construído por uma equipe com menor estrutura e com um orçamento mais baixo, a inovação foi o “pulo do gato” para a Cooper. Mesmo com menos potência, o seu melhor comportamento dinâmico e aerodinâmica mais eficiente garantiram o domínio da temporada de 1959 de Formula 1, vencida por Jack Brabham, que repetiu o feito na temporada seguinte com a evolução do projeto, o T53.

Para a temporada de 1961, todas as equipes já usavam o layout de motor central, superando a própria Cooper. No final, de certa forma, foram derrotados pela sua própria inovação, mas o que conta é o legado deixado por ela, usado até os dias de hoje.

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