segurança? simplesmente não bata

Árvores em torno da pista? Impossível imaginar algo do tipo atualmente, mas Nürburgring não ganhou o apelido de green hell por nada. Na verdade, arbustos eram até usados como decoração. Se você tivesse a sorte de não atingir uma árvore, poderia cair num barranco ou ficar preso numa vala. Cercas de madeira e postes completavam a paisagem em muitos circuitos.

stirling-moss-monaco-61

Para quem está dentro do carro, capacetes são vistos algo tão óbvio para a segurança nos dias de hoje que fica difícil imaginar como seria sem eles. E assim era. Regras para eles só foram estabelecidas pela metade da década de 60. Cintos de segurança também não eram uma opção muito popular até então. Não é difícil entender o motivo, já que nenhuma das opções era muito boa. Sem cintos, ser arremessado para fora do carro ou, na melhor das hipóteses, apenas contra o volante. Com cintos, ficar junto dos destroços e correr o risco de ter sua cabeça esmagada numa capotagem ou ainda ser queimado vivo num incêndio, pois os tanques de combustível não eram muito mais do que caixas de alumínio seladas prontas para romper com qualquer impacto e espalhar combustível para todos os lados.

Deathtrap

honda-ra-302-2

O Honda RA302 poderia resumir tudo. Estreando na metade da temporada de 1968, concentrava os esforços de quatro anos de experiência da Honda na F1. O motor, um V8 de 2987cc de 435cv, com uma grande diferença para os rivais – refrigerado à ar. Na teoria era uma boa ideia, pois tornava o carro mais leve. Com monocoque em magnésio, o resultado foi um carro com menos de 500kg. Ele foi também uma aposta interna da equipe, que além do RA302 tinha no grid outro carro, o RA301, que usava refrigeração à água.

O RA302 poderia ter sido um carro inovador, mas tinha problemas, começando com tudo em volta do piloto. Magnésio é um metal resistente, leve e fácil de ser utilizado, então ideal para carros de corrida. Exceto por ser também altamente inflamável. Além disso, o motor tinha problemas com superaquecimento. Após participar de um teste com o carro em Silverstone, John Surtees, piloto titular da Honda, se recusou a pilotá-lo por ser faltar confiabilidade e ser perigoso demais, o definindo como uma potencial deathtrap. Inclusive, sugeriu que o magnésio fosse substituído por alumínio, coisa que não foi atendida. Mesmo assim, o carro foi usado no GP da França por pressão da montadora, que queria apressar o desenvolvimento. Como John Surtees havia recusado pilotar o RA302, Jo Schlesser, um piloto local, foi escolhido.

jo-schelesser-1968-honda-ra302-2

Largando da décima sexta colocação, na segunda volta Jo schlesser perdeu o controle na curva Six Frères e bateu. O carro, carregado de combustível, pegou fogo e o incêndio se espalhou rapidamente, queimando por mais de 20 minutos e causando sua morte, numa temporada da qual outros três outros pilotos já haviam morrido: Mike Spence, Lodovico Scarfiotti e Jim Clark. A corrida continuou e John Surtees, que pilotava o RA301, terminou em segundo. Após a isso a Honda ainda construiu outro RA302, insistindo para que ele pilotasse. John Surtees recusou novamente e após isso a Honda abandonou a F1. Foi também a última vez que o circuito fez parte do calendário da F1.

jo-schlesser-1968-french-grand-prix-fatal-crash

A coisa só começou a ser levada a sério em torno dos anos 70. Com os carros se tornando cada vez mais rápidos pela evolução da aerodinâmica, os riscos se tornavam maiores. Mais dinheiro começava a ser envolvido também, então isso exigia um pouco de profissionalização para a categoria. Medidas de segurança e regulamentações mais rígidas foram definidas, algumas que continuam até hoje, como cockpits que permitam que o piloto saia em no máximo cinco segundos.

rindt-spa-1970

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s